OUVIR

Falar é muito importante, mas saber ouvir é mais ainda. O ouvir considero como uma ENTRADA DE DADOS. É necessário você alimentar seu conhecimento através do que você ouve, realizando os devidos filtros, claro. As vezes, o ouvir causa um certo desconforto quando aplicado a receber um feedback negativo, por exemplo. 

Saber ouvir é essencial para um bom aprendizado, e vamos usar isto ao nosso favor. Algumas pessoas precisam ouvir sua própria voz para se concentrarem mais.

Você já ouviu falar no Sussurrofone? A professora Adélia Muniz, do Piauí, criou uma espécie de telefone feito de cano de PVT para estimular a compreensão e leitura de seus alunos da rede municipal de ensino. Um sussurrofone pode ser construído por menos de R$ 5,00 reais.

O 'sussurrofone' é usado por crianças do 4º e do 5º ano para estímulo de leitura. — Foto: Reprodução/TV Club

O ‘sussurrofone’ é usado por crianças do 4º e do 5º ano para estímulo de leitura. — Foto: Reprodução/TV Club

O ato de OUVIR tem sua importância na pirâmide do aprendizado. Segundo a taxonomia de aprendizagem de Bloom: o ouvir está para relembrar, memorizar.

Devemos avançar no conhecimento subindo na taxonomia para VER.

VER

O VER também é uma ENTRADA DE DADOS e é uma parte muito importante em nossa leitura. Um bom livro com textos agradáveis de se ler, com figuras cativantes e com tons suaves nos dão mais prazer, nos levam a emoções e lugares que muita das vezes só podemos reviver em nossa imaginação.

O uso de nossa visão nos possibilita compreendermos com maior profundidade o que focamos.

Uma criança precisa OUVIR e VER repetidamente os conceitos à ela ensinados para conseguir assimilar um conhecimento. Por exemplo, eu tenho uma filha de três anos que aponta para um local e diz: “Papai, Carro!” ou se ela vê um animal correndo e pulando um muro, ela diz: “Papai, um gato!”. Para ela chegar nesta compreensão, ela precisou que em algum momento, nós como pais, apontássemos para um Carro e repetidamente falássemos a palavra correspondente a imagem.

Uma ação muito importante acontece desde 2005 no Rio Grande do Norte, através do projeto Ver para aprender, do SESC/RN.  O projeto de saúde visual do Sesc, realiza exames oftalmológicos preventivos em alunos com objetivo de identificar e evitar distúrbios que atrapalhem o aprendizado.

Entrega de 340 óculos do projeto Ver para Aprender 2018

Entrega de 340 óculos do projeto Ver para Aprender 2018

Desde então, mais de 4.000 pessoas, entre crianças, adolescentes e idosos, foram beneficiados com a doação de óculos de grau gratuitos.

Vejam como é importante a visão para poder ler bem e compreender bem.  Mas, este tipo de aprendizado usando imagens, também está acontecendo com as máquinas, através de uma área de estudos do aprendizado profundo de máquinas, chamada de MACHINE LEARNING, que ensina-se computadores através de imagens a reconhecerem o mundo ao seu redor.

A IMAGEM + OUVIR O CONCEITO, representa cerca de 15% do aprendizado, ainda é muito pouco. Mas, partamos para o próximo nível cognitivo: O FAZER.

FAZER

Já o FAZER eu considero como uma SAÍDA DE DADOS com retro alimentação da ENTRADA – O que der errado, uma nova forma de fazer será planejado e mesmo dando certo, novas pesquisas para melhorar o que foi feito deverá sempre retro alimentar o processo de aprendizagem.

O fazer é um nível de aprendizado muito profundo. Neste momento todos os conceitos foram aprendidos, todas as imagens registradas e catalogadas em nossos cérebros e a partir daí já conseguimos fazer juízo da informação.

O próximo passo é usar o conhecimento adquirido para FAZER, para criar, para construir.

Este nível de aprendizagem é de aproximadamente 80% do percebido.

Existe um maior nível de aprendizagem? sim, o nível 95% que se obtém quando se repassa o conhecimento, quando se ensina, quando você torna-se um facilitador para outros.

Se eu ouço, eu esqueço;
Se eu vejo, eu entendo;
Se eu faço, eu aprendo!
(Ditado Chinês)

Por Marcos Tulio G. da S. Junior